Crise de autoridade

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“Tendo Jesus entrado no templo, e estando a ensinar, aproximaram-se dele os principais sacerdotes e os anciãos do povo, e perguntaram: Com que autoridade fazes tu estas coisas? e quem te deu tal autoridade?” (Mt.21.23).

Estamos presenciando em nossos dias uma verdadeira crise de autoridade. Visto que vivemos em um regime democrático, a constituição proclama que toda autoridade emana do povo. No entanto, homens eleitos pelo povo, ocupam seus cargos, mas não conquistaram o respeito e a admiração de seus leitores.

Esta crise não pode ser engolida pela Igreja, visto que no Reino de Deus, toda autoridade emana de Deus. Quando os líderes se comportam de tal maneira que provoque insatisfação e revolta no povo, estão na realidade incitando rebeldia.

Muitas são as atividades a serem exercidas com a autoridade de um verdadeiro ministro de Deus. Precisamos expulsar demônios, curar enfermos, ensinar, edificar, consolar, resgatar e até mesmo restaurar. Como conseguir autoridade para fazer tudo isto?

Autoridade espiritual é para quem tem espiritualidade. Se ela vem do alto, basta estar ligado à fonte geradora de autoridade, e pronto. É preciso fazer as coisas da maneira como Deus quer.

Para atuarmos diante das necessidades humanas com a mesma autoridade com a qual atuavam os apóstolos, devemos restaurar o Reino de Deus na Igreja. As decisões sobre quem e como se governa, são tomadas por Deus e não pelo homem.

Veja que no Velho Testamento a escolha da liderança era feita pelo próprio Deus e não pelo povo “E eu o escolhi dentre todas as tribos de Israel para ser o meu sacerdote, para subir ao meu altar, para queimar o incenso, e para trazer o éfode perante mim; e dei à casa de teu pai todas as ofertas queimadas dos filhos de Israel” (1Sm2,28).

A própria planta do templo foi feita pelo Senhor e não pelos arquitetos e engenheiros. Estes, tão somente executavam aquilo que Deus lhes falara. “Conforme a tudo o que eu te mostrar para modelo do tabernáculo, e para modelo de todos os seus móveis, assim mesmo o fareis” (Ex.25.9).

A constituição pela qual o país era governado, foi feita pelo próprio Deus. Não era obra de um grupo de notáveis ou intelectuais, era Deus mesmo. “Os meus preceitos observareis, e os meus estatutos guardareis, para andardes neles. Eu sou o Senhor vosso Deus” (Lv.18.4).

Os reis permaneciam em suas posições enquanto eram obedientes a Deus. Tudo lhes ia bem enquanto faziam as coisas do modo como o Senhor ordenava, quando pecavam, caiam. “Então veio a palavra do Senhor a Jeú, filho de Hanâni, contra Baasa, dizendo: Porquanto te exaltei do pó, e te constituí chefe sobre o meu povo Israel, e tu tens andado no caminho de Jeroboão, e tens feito o meu povo Israel pecar, provocando-me à ira com os seus pecados, eis que exterminarei os descendentes de Baasa, e os descendentes da casa dele; sim, tornarei a tua casa como a casa de Jeroboão, filho de Nebate. Quem morrer a Baasa na cidade, comê-lo-ão os cães; e o que lhe morrer no campo, comê-lo-ão as aves do céu” (1Rs.16.1-4).

Deus era o centro das decisões e era ele mesmo quem delegava poderes aos homens. Este recebeu do Senhor autoridade sobre a terra, sobre os peixes, sobre as aves e sobre os animais (Gn.1.28).

Interessante que a ninguém foi dada a autoridade direta de dominar sobre os homens. Somente Deus pode dominar sobre os homens. Se há alguma autoridade a ser exercida, deve ser exercida em nome de Deus e não em seu próprio nome.

A liderança não foi feita para dominar, mas para servir. “Mas vós não sereis assim; antes o maior entre vós seja como o mais novo; e quem governa como quem serve” (Lc.22.26). Autoridade na Igreja é dada por Deus e é exercida da maneira como Deus quer.

Somente deveriam falar em nome de Deus aqueles que realmente o conhecem. De modo nenhum poderemos falar sobre alguém a quem não conhecemos e muito menos falar em seu nome. “Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi claramente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade” (Mt.7.22,23).

Ubirajara Crespo

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