Sandy deixa mortos na Costa Leste dos EUA e no Canadá

Tormenta foi rebaixada para categoria de tempestade extratropical antes de tocar a terra

30/10/2012 – 08h00 | O Globo

Um carro submerso na 14th Street em Nova York John Minchillo / AP
NOVA YORK – A tempestade extratropical Sandy deixou ao menos 15 mortos na Costa Leste dos EUA e um no Canadá, informou a rede CNN. As mortes mais recentes aconteceram em Long Island, em Nova York, na madrugada desta terça-feira, elevando para sete o número de casos no estado. Os prejuízos devem chegar a US$ 15 bilhões, com alagamentos em níveis recordes em Nova York. Segundo a TV americana, 6,5 milhões de pessoas estão sem energia elétrica em 13 estados do país.

Três pessoas morreram em Nova Jersey em decorrência da queda de árvores. Em Susquehanna County, na Pensilvânia, um menino de 8 anos morreu depois de ter sido atingido por um galho de árvores. Outra morte foi registrada no mesmo estado. Em Maryland, uma mulher bateu com o carro em uma árvore e faleceu. Na Virgínia Ocidental, outra mulher colidiu com um caminhão em meio a uma tempestade. Na Carolina do Norte, o corpo de uma mulher, que estava em um navio que encalhou na costa no domingo, foi encontrado durante a noite. Em Toronto, no Canadá, uma mulher morreu pelo impacto de uma placa de publicidade que se desprendeu por causa da tempestade.

Em Nova York, ao menos 50 casas foram queimadas no Queens durante a madrugada de terça-feira. Duzentos bombeiros tentam controlar as chamas no local. Um prédio no número 92 da 8ª Avenida, em Manhattan, perdeu a fachada com a proximidade do furacão, mas segundo o jornal New York Daily News nenhum morador se feriu no acidente.

No centro Manhattan, o nível de água ultrapassou os quatro metros de altura. O prédio da Bolsa – que está fechada desde segunda-feira, no primeiro fechamento forçado desde o 11 de Setembro – foi inundado. Segundo o presidentes da Autoridade de Transporte Metropolitano, Joseph Lhota, pode demorar entre 14 horas e quatro dias a retirada da água dos túneis inundados do metrô.

O Tisch Hospital da New York University retirou mais de 200 pacientes depois de seu gerador ter falhado quando a energia elétrica foi cortada por causa de Sandy. Uma usina nuclear foi parcialmente fechada na noite de segunda-feira, enquanto outra central, a mais antiga do país, foi posta em alerta devido à tempestade extratropical, que provocou um aumento das águas em 1,80m acima do nível do mar.

O prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, pediu à população que permaneça em casa e evite sair de carro para não prejudicar o deslocamento das equipes de emergência. Segundo Bloomberg, as chamadas para o número de emergência 911 só devem ser realizadas diante de real perigo de morte, para se evitar a sobrecarga do sistema.

No domingo, o governador de Nova York, Andrew Cuomo, ordenou que todas as operações de transporte público – metrô, trens e ônibus – fossem suspensas a partir das 19h. A previsão é de que a rede de transportes seja normalizada em até 12 horas depois da passagem de Sandy. Há a possibilidade de o metrô ser reaberto na quarta-feira, mas a decisão vai depender de como será a passagem do furacão pela cidade. As pontes que ligam Manhattan ao Brooklyn e ao Queens serão fechadas ao tráfego caso os ventos ultrapassem 95 km/h.

Em Nova Jersey, diversas ruas de Atlantic City – uma das regiões mais afetadas nos EUA – ficaram alagadas e partes de seu calçadão, que dá nome a uma série de TV, foram destruídas pelas ondas, segundo fotos de moradores colocadas no Twitter. Equipes de resgate foram acionadas para retirar pessoas que estavam presas em suas casas devido às enchentes. Segundo Willie Glass, diretor de segurança pública do local, a maior parte da cidade está sob a água.

NY: nível de água é o mais alto desde 1821

Pouco antes de tocar a terra em Nova Jersey, às 20h (22h no horário de Brasília), Sandy foi rebaixado de categoria. Em boletim divulgado à 1h (horário de Brasília) desta terça-feira, o Centro Nacional de Furacões (CNH, na sigla em inglês) disse que o olho de Sandy se encontra a 15 quilômetros ao sudoeste da Filadélfia.

A nova denominação significa que Sandy tem a força de uma tempestade tropical, mas se move fora de águas tropicais. Luiz Carlos Molion, professor de meteorologia da UFAL, com doutorado em Wisconsin, explica que todo furacão começa como uma tempestade tropical.

– Depois, alguns viram novamente uma tempestade tropical. É o que está acontecendo com o Sandy. Ele não tem um diâmetro muito grande. Às 18h (horário de Brasília), era de 1.600 km. Não creio que ele causará um estrago tão grande quanto o furacão que passou por lá em 1962 (na época, não se nomeavam os furacões). E existe uma frente fria em cima do continente. Pode ser que ela empurre o Sandy para longe – afirma Molion ao GLOBO.

Mesmo assim, diante da chegada de uma das maiores tempestades do país, o presidente dos EUA, Barack Obama, informou diretamente da Casa Branca que trata-se de uma tormenta muito séria, que pode ter consequências fatais. Cerca de 6,5 milhões de pessoas estão sem energia elétrica em 13 estados dos EUA, informou a rede CNN, e em Nova York, pelo menos 250 mil residências estão sem luz desde a tarde desta segunda-feira, de acordo com o governador Andrew Cuomo. O nível de água na cidade é o mais alto desde 1821. Doze estados, além do distrito de Columbia, também declararam situação de emergência.

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