Rota na Rua e Curta Distancia para o Amor

Amar a distancia é algo que eu fiz quando estava no Seminário, quando a Lidia precisou voltar para Porto Alegre. Foi dureza, mas a gente se via nos feriados prolongados e nas férias. O contato visual, o som da voz, o pegar nas mãos, as juras de amor e os selinhos são alimentos indispensáveis para o fortalecimento do amor.

Tem gente na tela da TV dizendo que me ama. Estou impressionado com tanto amor declarado na telinha. Peco, porém, perdão a estas pessoas por não estar a altura de retribuir esta paixão. Não na mesma intensidade, velocidade e credulidade.

Uma relação construída a distancia impede totalmente um conhecimento mútuo mais profundo. Esbarrei com um destes numa feira e ficou claro que não me reconheceu. Nem sequer me cumprimentou e ainda olhou para mim com cara de zangado, pois ele é baixinho e eu alto, no esbarrão levou desvantagem.

Confesso que este episódio jogou um caldeirão de água gelada na nossa relação. E justo agora, que tive a oportunidade de chegar tão perto. Pedi desculpa, é claro, mas o “homi” nem me olhou.

Foi difícil terminar este episódio sem pensar que todo aquele tratamento amoroso da telinha visasse amolecer o meu coração para a hora de pedir uma oferta.

Pelo que aprendi de Jesus, as demonstrações de amor precisam do acesso, do toque, do nome, de atenção exclusiva, do telefone e do endereço. Amar sem conhecer, não é amor.

Como posso amar alguém se não permito que se aproxime de mim?

– Eu te amo, mas não lhe dou meu endereço e nos comunicaremos através de uma acessoria.

Pior do que ele fazer isto é você acreditar que é amado.

– Eu te amo, mas quando passo perto de você, quero distancia e os seguranças garantirão isto.

A desculpa é sempre a mesma: Medo da tietagem, segurança pessoal, fui ameaçado, os capetudos estão soltos, etc.

– Se quiser me cumprimentar, entra na fila que estarei te esperando quando chegar a sua vez.

O contato aproxima as pessoas da verdade.

Se conhecer a verdade nos liberta, ela poderá nos livrar da manipulação, da exploração e do engano.

A verdade nos libertará, mas colocará na cadeia muita gente com cara de santo.

Como disse aquele velho político: Vamos colocar a Rota na Rua.

Ubirajara Crespo

Publicado a partir do BlackBerry para o WordPress.

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