A CONQUISTA DA AUTORIDADE

 AUTORIDADE OU ORGANOGRAMA 

A submissão não é difícil de ser obtida. Basta galgar alguns cargos dentro de um organograma. Títulos, diplomas, parentes e amigos bem posicionados ajudam bastante. É só combinar corretamente estes ingredientes e pronto. De repente estamos sentados dentro de uma sala acarpetada com secretária à porta e alguns subordinados subservientes. A hierarquia por si só, poderia conseguir uma submissão meramente exterior.

Há instrumentos de pressão que poderão colaborar: Gritar, disciplinar, ameaçar, rebaixar e até mesmo colocar o seu retrato em todas as salas de forma bastante destacada. Afinal, Quem não gosta de uma idolatriazinha, quando ele mesmo é o objeto desta admiração?

Há ainda algumas medidas extras que podem ser acrescentadas: Sala fechada, comportamento sóbrio, olhar altivo, fazer-se de difícil e uma carranca convenientemente ameaçadora são medidas que farão qualquer subalterno saber qual é o seu devido lugar. Dentro de um ambiente evangélico então, isto é sopa, pois em momentos críticos, podemos invocar o princípio bíblico da submissão.

Isto pode até dar certo, pois ninguém quer perder o emprego ou ser repreendido em público ou ainda de ter sua posição social ameaçada.Só fica difícil saber como isto se encaixa em princípios bíblicos do tipo: “O amor lança fora o medo”, “considerando os outros superiores a si mesmo”. Princípios bíblicos como compaixão, misericórdia, mansidão e humildade, precisam ficar de fora da minha vida se quiser continuar procedendo assim.

Jesus não se envergonhou de pedir favores à uma mulher pecadora junto a um poço de Samaria. Nosso Mestre almoçou com pecadores, chorou diante de seus seguidores e até mesmo de seus inimigos por causa de seu amigo Lázaro que morrera (Jo.11). No Getsêmani, Jesus não escondeu sua angústia diante dos olhos curiosos e boquiabertos de alguns de seus discípulos aos quais chamara de amigos e prometera que fariam grandes obras.

Tudo o que vemos em Jesus não parece combinar nem um pouco com a figura do grande chefão. Muitos pensam que para sermos grandes, devemos esconder nossas fraquezas, mas o Senhor nos mostra que nossa transparência nos dá muita credibilidade.

Jesus conquistou os homens, submetendo-os interiormente. Era na pessoa dele que seus seguidores encontravam a maior fonte de motivação para obedecê-lo e não no medo de uma possível punição ou na expectativa de uma premiação. Seu fascínio pessoal era tão intenso que provocava neles um impulso irresistível para agradar-lhe.

Organogramas geram subordinados, mas a espiritualidade atrai seguidores. O segredo de tudo isto era sua inquestionável comunhão com o Pai. Moisés era alguém que o povo procurava para consultar a Deus (Ex.18). Eles sabiam que estavam em seus lábios palavras de vida eterna. Suas palavras vinham do alto e todos sabiam disto.

     

    Ubirajara Crespo

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